Em 1993, teve lugar a primeira edição do Festival Danças na Cidade, dedicado exclusivamente à promoção e desenvolvimento da dança contemporânea em Portugal, num contexto internacional. Atento às tendências emergentes, o festival reuniu criadores nacionais e internacionais num contexto que favorecia o intercâmbio e a criação artística, encomendando novas peças, organizando workshops e seminários, e desenvolvendo várias iniciativas dinamizadoras. A nível internacional, o festival funcionou como um ponto de referência da dança portuguesa.

Festivais Danças na Cidade 1993-2004

A partir de 1997, o festival Danças na Cidade passou a ter uma periodicidade bienal. Nos anos intercalares, a associação Danças na Cidade desenvolvia iniciativas de intercâmbio, formação e criação, sobretudo no contexto do projecto Dançar o que é nosso.
Iniciado em 1998, Dançar o que é nosso foi um projecto de longo prazo, com o objectivo de promover o intercâmbio cultural na área da dança entre artistas e agentes culturais da Europa, África e América Latina, alargando assim a rede de contactos da comunidade da dança portuguesa e abrindo novos caminhos de colaboração entre o Norte e o Sul. Desde o seu início, em 1998, Dançar o que é nosso foi, acima de tudo, um projecto envolvendo as comunidades de dança da (maioria) dos países de expressão portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal, mas sempre num espírito de colaboração internacional, envolvendo profissionais oriundos de outros países e construindo uma ponte com colegas Europeus e Americanos.

Danças na Cidade promoveu a edição de vídeos e livros sobre temas ligados à dança e às artes do espectáculo, com o intuito de estimular o pensamento e a escrita sobre a dança em Portugal. Foram editados quatro livros por Danças na Cidade e produzidas 2 edições on-line, em colaboração com estruturas parceiras. Co-produziram-se 2 vídeo-dança.

Danças na Cidade apoiou a criação coreográfica em Portugal e a nível internacional, através da cedência do seu estúdio de dança, da co-produção de obras e da organização de residências de formação e de criação. A participação em várias redes internacionais, dedicadas à criação e circulação de obras de dança – APAP, DBM, Départs – funcionou como um instrumento valioso para a internacionalização da dança portuguesa.

Redes de que Danças na Cidade fez parte:
Advanced Performing Arts Projects
APPCAssembleia Geral de Programadores Culturais
Danse Bassin Méditerranée
Départs
IETM – Informal European Theatre Meeting
REDE – Associação de Estruturas para a Dança

Mónica Lapa (1965 – 2001)
Demasiado cedo Mónica Lapa deixou-nos. Faleceu no dia 3 de Agosto de 2001. Apesar da dor e das saudades, ficámos também com um sentimento caloroso de gratidão por termos tido a oportunidade de a conhecer, trabalhar ao seu lado, partilhar momentos de felicidade e tristeza. A Mónica era uma pessoa excepcional, que se entregava com toda a força e energia aos projectos que desenvolvia.

Para quem a conheceu fica, sem dúvida, a memória da bailarina talentosa que acompanhou durante vários anos o percurso criativo de Clara Andermatt. A Mónica começou a sua carreira em dança, como sapateadora, quando tinha 16 anos. Mais tarde, evoluiu para a dança contemporânea, criando o solo “Despe-te e Nada”, o dueto “Bimarginário” com Francisco Camacho e a peça “Miss Liberty”, que estreou em 1999.

Também como fundadora e directora de Danças na Cidade, Mónica deixou uma marca profissional profunda. Tendo organizado o primeiro pequeno festival Danças na Cidade em 1993, conseguiu torná-lo num evento cultural de envergadura não só nacional, como também internacional. Depois de um primeiro contacto com a comunidade de dança cabo-verdiana em 1994, embarcou num projecto novo, Dançar o que é Nosso, mais uma vez impregnado com a sua força incansável, generosidade e vontade inabalável de melhorar as coisas à sua volta. Durante quatro anos, desenvolveu o projecto com o intuito de estimular o intercâmbio artístico e a colaboração entre organizações e artistas da Europa, África e Brasil.

A Mónica já não está neste mundo, mas o seu trabalho e o seu espírito continuam connosco. Mesmo já muito doente, manteve sempre a sua presença radiosa e generosa. A serenidade com a qual preparou a sua morte tem sido uma fonte de inspiração para todos os que cruzaram o seu caminho nos últimos meses da sua vida. Adeus, Mónica.