Eva Baudry – “O”

residência artística
1-31 de maio

portas abertas
30 de maio, 21h30
Espaço Alkantara

Existe um espaço aquático onde te encontras como testemunha e com o qual te apercebes que estás fisicamente implicado.
Surgem dúvidas sobre a tua própria consistência.
Será que os perímetros que te distinguem desta matéria húmida não são líquidos?
Este projeto inspira-se na co-habitação da água com o corpo humano. Através da criação de um espaço sensitivo, destaca-se a fusão entre o corpo e a água, na medida em que ambos são matérias vivas, fluídas, em metamorfose.
Cria-se um lugar de encontro, com perímetros indecisos, onde se transformam os elementos envolvidos através das suas qualidades lábeis e dúcteis. Tocar neste ponto de junção, revelar a possibilidade de o corpo ser água e a água ser um corpo.
Trabalhei, em colaboração com Giorgio Gristina e Sara Zita Correia, a construção desta performance/instalação sonora, com o intuito de proporcionar ao público uma viagem num espaço escuro, de onde surgem sons e imagens. Compor, a partir das manifestações visuais e sonoras, dos corpos e dos líquidos, uma experiência sensitiva que irá adaptar-se a cada espaço onde for apresentada.
Um site-specific que será estreado no Reservátorio da Patriarcal, pertencente ao Museu da Água, nos dias 23 – 24 – 25 de Junho.
Mais tarde, adaptaremos a peça a um outro espaço, na cidade de Montemor-o-Novo, no contexto do festival Cidade PreOcupada.

Eva Baudry não só tem participado no projeto Aware (Artists Watch, Reflect and Exchange) como também desenvolvido as suas criações no Alkantara. O espetáculo A4, 3, 2, 1…, apresentado no ciclo “Try better, Fail better“, em Abril, é exemplo disso mesmo, pois foi desenvolvido em duas residências, no Espaço Alkantara, durante 2016. Eva regressa agora no mês de maio, para uma residência dedicada à performance “Ô” que será apresentada em junho, no Reservatório Patriarcal de Lisboa, Museu da Água. O projeto reflete sobre a fusão entre o corpo humano e a água, um lugar de encontro com perímetros indecisos, ambos matérias vivas, fluídas, em metamorfose.

Eva Baudry
Iniciou a sua formação em Dança Contemporânea no Conservatório em La Roche-sur-Yon, em França e, mais tarde, no Conservatório de Poitiers. Durante dois anos, participou no Festival “ À Corps ”, em criação com Dimitri Tsiapskini (Cie. Mawguerite – Bernardo Montet) e Yair Barelli (Cie. Mùa – Emmanuelle Huynh). Em 2011, adquire um diploma universitário em Dança e Circo. Foi intérprete na peça Ordinary Paint, Imaginary Shape de Christophe LeGoff . Terminou, em 2014, a formação intensiva em dança contemporânea “Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica” (PEPCC), no Forum Dança, em Lisboa.
Criou, em 2016, A4, 3, 2, 1… durante duas residências no Espaço Alkantara, apresentado no ciclo “Try better, Fail better“ no Teatro da Garagem em Abril 2017. Trabalha com o coletivo GMURDA (grupo de improvisação sonoras em espaços abandonados). Participou à MasterClass no festival “Europoly”, em Munich e ao Aware, durante o festival Alkantara.
Apoiado pela Fundação Gulbenkian, entra agora em criação pela performance Ô, que será apresentada em junho de 2017.

Giorgio Gristina
Começou o seu percurso de experimentação em música eletrónica e gravação de som enquanto estudava antropologia e etnomusicologia na Universidade de Torino. Em 2010 recebeu o diploma de especialização em técnicas de gravação de som da escola APM (Saluzzo, It) e estagiou na Fundação Tempo Reale (centro de pesquisa musical fundado em Firenze por Luciano Berio). Desde entao, tem trabalhado como engenheiro de som para diversos clubes e salas de concertos em Itália, Espanha e Portugal, e como supervisor de som na Zelig Film School (Bolzano, It).
Colaborou com diversos artistas – participando em performances audiovisuais e instalações sonoras – e tem realizado a música e o design de som para dezenas de filmes e animações independentes. Atualmente vive em Lisboa, onde e doutorando em antropologia no ICS, leciona o laboratório de som na escola de arte independente Ar.Co e trabalha com a associação Il Sorpasso (Festa do Cinema Italiano / Filmin Portugal) e o EBANO Collective (Paratissima Lisboa).

Sara Zita Correia
Licenciada em Dança [2011], pela Escola Superior de Dança e formada no PEPCC – Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica [2014], pelo Forum Dança. Participou em workshops de Bruno Listopad, Sofia Dias & Vítor Roriz, Marlene Monteiro Freitas, Tânia Carvalho, Antonio Tagliarini, House of Melody, entre outros.
Participou em projetos e intervenções de Gustavo Ciríaco, Ana Borralho & João Galante, Willi Dorner, João Salaviza, Radar 360º, Victor Hugo Pontes, entre outros.
Trabalhou, profissionalmente, como intérprete, em projetos de Pátio Ambulante, Aleksandra Osowicz/Filipe Pereira/Helena Martos/Inês Campos/Matthieu Ehrlacher, André Guedes, Plural/Rafael Alvarez, Victor Hugo Pontes, André e. Teodósio e Jonas & Lander.

Apoios e agradecimentos Forum Dança, Fundação Calouste Gulbenkian, Oficinas Do Convento, Atalaia Artes Perfomrativas, Espaço Alkantara, Zé Dos Bois, ColdGold Microfones

foto: Eva Baudry