Observar o passado para criar um futuro

(foto: Aline Macedo*)

Olhar o passado para entender o presente e sonhar um futuro… Foi o que fizeram muitos artistas do Festival Alkantara de 2016, desvelando o passado, a tradição, para gerar perspetivas sobre quem somos e para onde nos dirigimos. Este é também um exercício típico desta altura do ano, quando os dias são curtos e as noites longas e escuras. Por isso, revemos o ano que passou construindo uma ponte para o que vai acontecer 2017.

Enquanto o mundo oscilava entre o Zika e a Síria e o país entre a geringonça e o golaço, um vasto grupo de artistas portugueses e internacionais trabalharam em projetos futuros no protegido silêncio do Espaço Alkantara: Filipa Mata, Eva Baudry, Hotel Europa/André Amálio, Taoufiq Izeddiou, Sofia Dias & Vítor Roriz, Jonas Lopes & Patrick Lander, Urândia Aragão, Romain Teule, Beatriz Cantinho, Cláudia Dias e Ana Borralho & João Galante.

Ao mesmo tempo que o Alkantara mantinha a sua dedicação à pesquisa e aos ensaios foi abrindo as suas portas ao público. Talvez tenhas visto as performances de Joana Von Mayer Trindade ou Karina Mansour (Cumplicidades Festival), os alunos ou ex-alunos PEPCC ((RE-)Union), Ana Borralho & João Galante ou o André Uerba (Temps d’Images). Em 2017, o Espaço Alkantara abriga o desenvolvimento dos projetos de David Marques, Liv Colletif, André Amálio, Eva Baudry, Rita Natálio e João dos Santos Martins, Henrique Furtado, Flora Detraz, Tiago Gandra, Radouan Mriziga & Jozef Wouters, entre outros.

O Alkantara continuou, em 2016, o seu trabalho de bastidores coproduzindo João dos Santos Martins & Cyriaque Villemaux e Cláudia Dias e coapresentando, fora do contexto de festival, artistas como Marlene Monteiro Freitas, Edit Kaldor, Joris Lacoste, STAN, Philippe Quesne, Radouan Mriziga e Antoine Defoort em teatros e festivais em Lisboa, Porto, Vila do Conde, Coimbra, Guimarães e Santiago de Compostela.

Ainda sobre observar o passado para criar um futuro: em novembro lançámos, juntamente com o Arquivo Municipal de Lisboa, a segunda edição da Traça – Mostra de Filmes Familiares. Convidámos os moradores da Madragoa/Santos-o-Velho para partilhar os seus vídeos caseiros e os filmes vão ser digitalizados para que todas as películas de 8 e 16 mm, super 8 e cassetes VHS que estão a acumular pó em caixas guardadas debaixo das camas, possam ganhar uma nova vida nas mãos de cinco artistas (ou duplas de artistas). Em outubro de 2017 apresentamos um mini-festival nas casas e espaços da Madragoa onde Sofia Dinger, Alex Cassal, Isabel Abreu, Sofia Dias & Vítor Roriz e Jorge Silva Melo dialogam com estas preciosidades fílmicas.

Outro projeto de longo termo é o 1Space. Começou no final de 2015, quando um grupo de 13 jovens artistas de África, Médio Oriente e Europa (incluindo os artistas portugueses Sofia Dinger, Urândia Aragão e Ana Teresa Ascensão) se reuniram para uma série de laboratórios de pesquisa em Ramallah, Kinshasa e Lisboa. O projeto entra agora na sua segunda fase, resultando em seis performances. Entre elas, Urândia Aragão e o coreógrafo senegalês Momar Ndiayé vão estrear o seu projeto no Teatro Maria Matos, em junho, enquanto Sofia Dinger e a escritora e artista de teatro Rimah Jabr desenvolvem o seu projeto para uma apresentação final, em 2018.

Uma artista que está mesmo – quase descaradamente – a olhar para o futuro é Cláudia Dias. O seu projeto Sete Anos Sete Peças é visto como uma afirmação tanto política como artística num momento em que a austeridade parece ser a única opção para os artistas. O Alkantara acompanha Cláudia durante esta viagem de sete anos, que arrancou com a performance Segunda-feira (uma batalha com Pablo Fidalgo Lareo), em 2016, e vai continuar com Terça-feira, um encontro com o jovem artista italiano Luca Bellezze que estreia no Teatro Maria Matos, em março de 2017.

*foto: Aline Macedo (do espetáculo E se Elas Fossem para Moscou?, de Christiane Jatahy, apresentado no Alkantara Festival 2016)

Revê o ano de 2016 no Alkantara AQUI