Urândia Aragão – Artigo 19

21 abril, 21h > Exodos Festival, Ljubljana
7 a 9 junho, 21h30 > Estreia mundial – Maria Matos Teatro Municipal, Lisboa

Todo. Ver todo. Todo o indivíduo. Ver indivíduo. Ver importância de indivíduo. Ver uso de indivíduo. Todo o indivíduo tem. Ver tem. Ver importância de tem. Ver uso de tem. Todo o indivíduo tem direito. Ver direito. Ver importância de direito. Ver uso de direito. Todo o indivíduo tem direito à liberdade. Ver liberdade. Ver importância de liberdade. Ver uso de liberdade. Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião. Ver opinião. Ver importância de opinião. Ver uso de opinião. Todo o indivíduo tem direito à liberdade de expressão. Ver expressão. Ver importância de expressão. Ver uso de expressão.

A peça que revelou o trabalho de Urândia Aragão, Fio Condutor, era uma sucessão de histórias captadas no espaço público a que os próprios espectadores davam corpo e voz. Partindo de uma investigação sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em Artigo 19, a sua nova peça para palco, as histórias estão contidas em vozes, que estão contidas em caixas, onde se encontram altifalantes que vibram como corpos: a ideia de voz e de corpo confunde-se, apontando para um sentido de humanidade, em que o próprio corpo humano está ausente. Há uma rede de cabos a ligarem altifalantes que estabelecem conexões entre testemunhos de personagens que, tendo uma voz para expressar-se, não estão presentes, e que advogam um sentido de pertença a lugares que lhes estão proibidos. Estas vozes de indivíduos reais, que relatam uma vida sonegada, estão em contraste com um diálogo entre vozes sintéticas, fabricadas por computador, e que testemunham vidas virtuais, apenas tornadas possíveis pela linguagem e pela tecnologia. Mais do que questionar o sentido do que entendemos por “vida humana”, ou “direitos humanos”, Artigo 19 constrói um cenário em que se sobrepõe quotidiano e estranheza, citando um imaginário de ficção científica já habitado pela vida contemporânea, com as suas relações virtuais e diferidas, onde o sentimento de estar vivo é gerado por operações abstractas. A própria dimensão política da palavra “refugiado” parece dissolver-se nas mais diversas formas de existência – como se todas elas estivessem refugiadas da sua própria realidade.

criação Urândia Aragão
em colaboração com Andrea Brandão, João Bento, Rui Catalão
encontros artísticos com Borut Bučinel, Chuma Sopotella, Gabriela Farinha, Momar Ndiaye
desenho de luz Thomas Walgrave
desenho de som João Bento
direcção técnica João Chicó
produção Alkantara
coprodução Maria Matos TM, 1Space Project/Programa Europa Criativa, Teatro Académico de Gil Vicente, Pensamento Voador
apoio Fundação Calouste Gulbenkian
residências artísticas Pact Zollverein – Essen, Yachai Wasi – Loreto, Peru; Espaço Alkantara – Lisboa; Teatro Maria Matos – Lisboa, TAGV – Coimbra; Forum Dança; Polo Cultural | Gaivotas Boavista/CML, ACCCA, Rumo do Fumo
agradecimentos Adonis Nébié, Ahu Lopez, Ahmed Tobasi, Ana Trincão, Atta Kattab, Carlos Oliveira, Luís Pinto, Léa Rault, Marta Fonseca, Michel Kiyombo, Remah Jabr, Rubén Castillejo e Zina Zarour
foto Bruno Simão

Alkantara – A.C. é uma estrutura financiada pela República Portuguesa|Cultura/Direção-Geral das Artes e Câmara Municipal de Lisboa

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