Encontros
Imediatos 2005-06
Na continuidade dos projectos desenvolvidos por
Danças na
Cidade, alkantara dedica o seu primeiro grande projecto à colaboração
internacional e ao diálogo intercultural. Entre Agosto de 2005
e Junho de 2006, alkantara (Lisboa) e Panorama Rio Dança (Rio
de Janeiro) organizam um projecto com a duração de um
ano, no qual artistas e teóricos de diferentes contextos culturais
trabalham juntos e se debruçam sobre temas como interculturalismo,
negociação cultural e criação/apresentação
de arte em contextos culturais diferentes. O projecto centrar-se-á em
três questões: o encontro com o outro , a arte nómada
e o local/espaço.
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Encontros Imediatos
encontro com o outro
Diversidade cultural, diálogo cultural e competência
intercultural são alguns dos conceitos do vasto campo dos Estudos
Culturais que, nos últimos anos, têm sido adoptados pelo
discurso político. Em contextos onde se fala da imigração,
das minorias e da globalização, são lançadas
como palavras-chave no combate à intolerância e à xenofobia
mas, apesar da transferência dos modelos académicos para
os slogans políticos, tem havido muito pouco espaço
para experimentar a viabilidade destes conceitos nos vários
terrenos da actividade humana. O objectivo central do projecto Encontros
Imediatos 2005-06 é investigar o potencial e as limitações
da prática artística intercultural numa experiência
que integra doze artistas de culturas diferentes. Estes irão
confrontar as suas experiências individuais e identidades culturais
em vários encontros, realizados ao longo de um ano.
arte nómada
A criação e o consumo de arte têm-se internacionalizado
de maneira nunca antes imaginada. Residências em países
estrangeiros, colaborações com artistas de outras culturas,
co-produções e digressões internacionais tornaram-se
prática diária para um número cada vez maior
de artistas, agentes culturais e públicos. Esta evolução
gerou uma tensão frequentemente problemática mas também
estimulante entre o local e o global, tendo em conta que as referências,
os valores e o contexto do trabalho artístico estão
inevitavelmente entranhadas na situação social, cultural
e política local. Pode um trabalho de arte criado no lugar
A ser compreendido no lugar B? Que tipo de 'tradução'
o público de uma cultura necessita para ter acesso aos trabalhos
artísticos de outra cultura? Como 'negociar' um meio-termo
entre relativismo e universalismo cultural? Com o intuito de investigar
estas questões na prática criativa, os Encontros
Imediatos 2005-06 incluem quatro etapas diferentes que se realizam
em locais e contextos culturais diferentes:
Encontro Lisboa - 6 a 28 Agosto 2005 :
Os participantes juntam-se em Lisboa, onde terão oportunidade
de se encontrar e conhecer, debater as propostas centrais do projecto
e começar a trabalhar nas suas criações num contexto
de intercâmbio e de feedback.
Encontros Imediatos Rio de Janeiro - 15 a
30 Outubro 2005: Os participantes
voltam a encontrar-se no Rio de Janeiro, por um período de
trabalho, seguido da apresentação do work-in-progress
das seis criações no âmbito do Festival Panorama
RioArte 2005. Lugares diferentes, tempos diferentes :
No decorrer do projecto são organizadas residências de pesquisa e
criação nos países de residência dos participantes
não portugueses e brasileiros, em função das
necessidades de cada projecto. Assim, Ana Borralho e João Galante
já estiveram no Japão, Miguel Pereira trabalhará com
Karima Mansour no Cairo e Filipa Francisco encontrará Idoia
Zabaleta em San Sebastian. Outras residências estão ainda
por definir.
Encontros Imediatos Lisboa - 1 a 11 Junho
2006 :
Ensaios finais e apresentações no âmbito dos Encontros
Imediatos III do alkantara festival.
local / espaço
Neste projecto, site-specific não é entendido
como uma ligação única a um local definido, mas
antes como algo flexível, adaptável a vários
locais, interactivo com vários contextos.
Desde os tempos das primeiras colonizações, têm-se
feito esforços sistemáticos para facilitar a expansão
global do mercado da arte através da construção
de infra-estruturas semelhantes em todo o mundo, muitas vezes sem
ter em conta o contexto local ou as implicações ideológicas
dos modelos impostos (por exemplo, a black box do teatro
ou as paredes brancas da galeria de arte foram projectadas para criar
ambientes neutros, para manter o mundo do lado de fora e a arte dentro).
Neste processo, as noções de lugar, viagem, deslocamento
e alteridade esbateram-se. O que significa apresentar uma peça
em Lisboa, no Cairo ou no Rio de Janeiro, se em todos estes lugares
os artistas actuam em espaços teatrais similares para plateias
semelhantes compostas por espectadores informados, amantes de arte?
Neste contexto, o site-specific torna-se o desafio de encontrar
o Outro e de confrontar a diferença. |