A TRAÇA é uma mostra de filmes de família, organizada desde 2015 pelo Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca, que através de imagens privadas e individuais, procura construir uma outra história da cidade, feita de memórias e vivências de quem a habita.
Em cada edição, a TRAÇA tem um formato diferente e ocupa um local sempre distinto, adaptando-se ao bairro que a recebe. Há, contudo, dois princípios que se repetem: por um lado, uma série de artistas são convidados a trabalhar a partir da coleção de filmes amadores e de família do AML – Videoteca, criando com estes novos objetos artísticos; por outro lado, a Mostra exibe as imagens em estado bruto, ao mesmo tempo que junta convidados nacionais e internacionais que estejam a trabalhar a partir de arquivos da mesma natureza nas suas cidades.
Para a primeira edição, em 2015, a TRAÇA convidou sete realizadores portugueses para criarem um filme a partir dos filmes de família.
A 2ª edição da TRAÇA, a acontecer em outubro de 2017, em vários espaços é co-programada pelo Alkantara e dedicada ao encontro com as artes performativas. Seis artistas convidados produzem peças originais a partir da coleção de filmes de família do Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca, peças a apresentar em estreia absoluta em vários locais habitados pela comunidade do Bairro da Madragoa.
Os seis artistas envolvidos são Alex Cassal, Isabel Abreu, Raquel André, Sofia Dinger, Sofia Dias & Vítor Roriz e Silva Melo & Miguel Aguiar.

Alex CASSAL
Encenador, dramaturgo e actor, licenciado em História. Vive entre o Rio de Janeiro e Lisboa. No Brasil, dirige o grupo Foguetes Maravilha, responsável por espectáculos como Ele precisa começar e Ninguém falou que seria fácil, já apresentados em vários teatros e festivais no Brasil e em Portugal. Vem colaborando com artistas das artes cénicas como Enrique Diaz, Dani Lima, Michelle Moura e Gustavo Ciríaco. O seu vídeo Jornada ao umbigo do mundo, vencedor do Prémio Rumos Dança 2007, já foi exibido em países como Argentina, México, Cuba, EUA, Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, Grécia, Croácia, China e Japão. Com Tiago Rodrigues, do grupo Mundo Perfeito, participou nos projectos Estúdios, Hotel Lutécia e Mundo Maravilha. Em 2012, escreveu o texto Septeto Fatal para o Festival PANOS, da Culturgest. Entre 2015 e 2016, encenou no Teatro Maria Matos os espectáculos Tornados (com alunos finalistas da Escola Superior de Teatro e Cinema) e As cidades invisíveis: um certo número de objectos desloca-se num certo espaço.
www.alexcassal.blogspot.com

ISABEL ABREU
É licenciada em teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Foi dirigida por encenadores como Marco Martins, Tiago Guedes, Tiago Rodrigues, Nuno Cardoso, Ana Luísa Guimarães, Rui Mendes, João Mota, entre muitos outros. Além do seu percurso premiado como actriz de teatro, Isabel Abreu também ganhou notoriedade e reconhecimento pelo seu trabalho em televisão e cinema.
Em 2011, foi premiada na categoria de Melhor Atriz pela peça Blackbird de David Harower, pela Sociedade Portuguesa de Autores. Em 2015, foi premiada na categoria de Melhor Atriz de Cinema Português pelos Caminhos do Cinema Português. Entre as várias distinções, foi também nomeada para o prémio de Melhor Atriz no Festival de Televisão de Monte Carlo, pela sua interpretação na minissérie Noite Sangrenta e para o Globo de Ouro de Melhor Atriz, pelo espectáculo Três dedos abaixo do joelho.
Em cinema, trabalhou com realizadores como Sandro Aguilar, em Zona (2008), Voodoo (2010), Sinais de serenidades por coisas sem sentido (2012) e Bunker (2015); Tiago Guedes e Frederico Serra em Entre os dedos (2008); Tiago Guedes em Coro dos Amantes (2014); Mariana Gaivão em Solo (2012), entre outros. Participou recentemente na fotonovela escrita por Tiago Rodrigues, editada pela Revista Granta. Foi convidada para participar na mostra de escritores portugueses em Nova York, no Metropolitan Museum (2014), com a leitura de textos de Afonso Cruz.

RAQUEL ANDRÉ
Desenvolve o seu trabalho artístico desde que se conhece como gente. Um dia pegou numa caixa de papelão cheia de cartas escritas à mão, correspondência de uma família nos anos 70, 80 e 90 e daí criou o seu primeiro trabalho autoral em 2009. Desde então que se tem interessado pelo colecionismo, especialmente pelo Colecionismo nas Artes Performativas, tendo sido a sua dissertação de Mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, com Bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian. É licenciada pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, estudou e aproximou-se de vários artistas portugueses de diversas linguagens artísticas, passou pela televisão portuguesa e apresentou as suas criações em Portugal, Espanha, Polónia, Cuba, Argentina e Brasil.

Foi em 2011 que pisou pela primeira vez o Rio de Janeiro, ganhou a Bolsa Inov-Art e de uma residência de cinco meses na Cia dos Atores, passou cinco anos a trabalhar perto de Bel Garcia, acompanhando todas as suas criações durante esses anos (Inbox, Matamoros, Peças em Galeria, Oréstia, Conselho de Classe e Beije Minha Lápide). Durante esse período acompanhou também de perto Cesar Augusto, ator, diretor e programador do Galpão Gamboa. Atualmente vive numa ponte aérea, sabe que quer continuar a viajar com a certeza que será o seu coração que a fará movimentar-se com as suas criações, como performer, atriz, diretora/encenadora, programadora, produtora e como colecionadora obstinada pelo efémero.
É artista convidada da rede europeia APAP (Advancing Performing Arts Project – Performing Europe 2020), sob o apoio do Teatro Nacional D. Maria II.

http://cargocollective.com/raquelandre

JORGE SILVA MELO & MIGUEL AGUIAR
Jorge Silva Melo Estudou na London Film School. Fundou e dirigiu, com Luís Miguel Cintra, o Teatro da Cornucópia (1973/79). Bolseiro da Fundação Gulbenkian, estagiou em Berlim junto de Peter Stein e em Milão junto de Giorgio Strehler. É autor do libreto de Le Château dês Carpathes (baseado em Júlio Verne) de Philippe Hersant, das peças Seis Rapazes Três Raparigas, António, Um Rapaz de Lisboa, O Fim ou Tende Misericórdia de Nós, Prometeu, Num País Onde Não Querem Defender os Meus Direitos, Eu Não Quero Viver baseado em Kleist, de Não Sei (em colaboração com Miguel Borges ), O Navio dos Negros, Sala Vip, entre outros. Fundou em 1995 a sociedade Artistas Unidos de que é director artístico. Realizou longas-metragens (Passagem ou A Meio Caminho, Ninguém Duas Vezes, Agosto, Coitado do Jorge, António, Um Rapaz de Lisboa) uma(curta-metragem (A Felicidade) e documentários (António Palolo e Joaquim Bravo, Évora, 1985, etc, etc, Felicidades, Conversa com Glicínia, Conversas em Leça em Casa de Álvaro Lapa, Nikias Skapinakis – O Teatro dos Outros, Álvaro lapa: A Literatura, António Sena, A Incessante Mão, Ângelo de Sousa: Tudo o que sou capaz, A Gravura: Esta Mútua Aprendizagem, Ainda Não Acabámos e Sofia Areal: um gabinete anti-dor). Traduziu obras de Carlo Goldoni, Luigi Pirandello, Oscar Wilde, Bertolt Brecht, Georg Büchner, Lovecraft, Michelangelo Antonioni, Pier Paolo Pasolini, Heiner Müller e Harold Pinter.

Miguel Aguiar nasceu em 1982. Licenciado em Cinema pela Universidade da Beira Interior. Trabalhou como montador em vários filmes dos Artistas Unidos, a partir de 2012. Co-realizou com Jorge Silva Melo A África de José de Guimarães e Jogadores, a partir da peça de Pau Miró. Co-realizou com Vitor Alves a curta-metragem O Antropomorfo.

SOFIA DIAS & VÍTOR RORIZ
Bailarinos e coreógrafos independentes a colaborar desde 2006 na pesquisa e concepção de vários trabalhos apresentados em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Suíça, Roménia, Bélgica, Inglaterra, Holanda, Eslovénia, Chipre, Polónia, Finlândia, Brasil, Áustria, Itália e República Checa. Lecionam regularmente aulas no Fórum Dança/PEPCC e na ESAD – Caldas da Rainha, e deram workshops no Centro em Movimento (PT), Companhia Instável (PT), Módulos Nómadas/Alkantara (PT), CDC Toulouse (FR), ZurichTanzt (CH), Festival de Dança Contemporânea de São Paulo (BR), Art Stations Foundation/Poznan (PL) e Tanec Praha (CZ). Têm organizado residências e encontros de reflexão entre artistas, tais como Aware no contexto do Festival Alkantara 2014. Desde o início da sua colaboração, têm sido apoiados por várias estruturas culturais: Bomba Suicida, Cia Clara Andermatt, Eira, Capa/Devir, Alkantara, Negócio/ZDB, Fórum Dança, O Rumo do Fumo; e por redes europeias: Départs, Latitudes Contemporaines, ModulDance. Enquanto dupla foram convidados a participar em trabalhos de Catarina Dias (com quem colaboram regularmente), Lara Torres, Marco Martins, Clara Andermatt, Mark Tompkins e Tiago Rodrigues.
http://sofiadiasvitorroriz.blogspot.pt

SOFIA DINGER
É atriz formada pela Academia Contemporânea do Espectáculo, Escola Superior de Teatro e Cinema e pela Universidade de São Paulo. Tem investido continuamente em formação adicional tendo frequentado workshops com Rogério de Carvalho, João Fiadeiro, Carlota Lagido, Ângela Schanelec, Olga Mesa, Beatriz Batarda, Vera Mantero, Miguel Loureiro, Thomas Richard, Jonathan Burrows, Kassys, entre outros. Atualmente, frequenta o mestrado em teatro na escola Das Arts, em Amesterdão. Sofia criou e interpretou Grande Ilusão (Temps d’Images, 2014) e Nothing’s ever yours to keep (Festival 1o Andar, 2010). Enquanto interprete, trabalhou com Mónica Calle (Rifar o meu coração, 2016 e Os sete pecados mortais — uma cartografia, 2014), Blitz Theatre Group (Institute of Global Solitude, 2016), Sara Carinhas (The Waves, 2013), Gonçalo Amorim (White Nights, 2013), Rui Catalão (Melodrama for two actors and a ghost, 2012), Teatro do Vestido (Esta é a minha cidade e eu quero viver nela – Porto, 2012), entre outros. Trabalhou também em cinema com realizadores como Leonardo Mouramateus, André Lage e Pedro Filipe Marques. Recebeu uma menção honrosa pela sua performance na curta-metragem Lullaby (André Lage), pelo juri da 16ª edição do Festival de Cinema Luso Brasileiro de Santa Maria da Feira.